Afinal, o que é o envelhecimento?

Organicamente falando, é um processo que se inicia ao nascimento, inevitável e que ocorre de forma continuada enquanto estivermos vivos. Ele se dá por uma diminuição na capacidade do nosso corpo em realizar uma substituição adequada das células que vão envelhecendo. Todo nosso corpo passa por este processo, mas aqui iremos falar um pouco mais sobre o envelhecimento da nossa pele.
Com o passar dos anos vai havendo uma diminuição das fibras que dão sustentação a pele (elásticas e de colágeno), e ela se torna menos hidratada, com o processo de renovação das células mais lento.

Existem diversos fatores que podem influenciar no processo natural de envelhecimento, dentre eles podemos colocar em destaque os fatores intrínsecos – genéticos individuais e os extrínsecos – as condições ambientais as quais estamos submetidos (tabagismo, poluição, má alimentação, consumo excessivo de álcool e, é claro, a exposição solar excessiva). Muitas vezes é comum vermos esta subdivisão dos fatores causadores do envelhecimento cutâneo, porem na vida real eles caminham juntos de mãos dadas. Todos estes fatores externos acarretam a produção de estresse oxidativo que eleva os radicais livres celulares, prejudicando o processo de renovação celular e piorando a percepção da idade.

O que notamos com o passar dos anos é uma maior flacidez da pele, um maior ressecamento, perda de viço e acentuação das linhas de expressão e rugas. Isto ocorre por uma diminuição gradativa das estruturas de sustentação da face (mas mãos, pescoço e colo também sofrem). Aquela tão temida percepção que estamos “derretendo”. Há um processo de reabsorção da nossa estrutura óssea e das bolsas de gordura que fornecem sustentação a pele. E a quantidade de ácido hialurônico produzido também diminui. Estudos microscópicos mostram uma pele mais fina, com menor concentração e pior qualidade das fibras colágenas e elásticas. O equilíbrio entre degradação e nova produção de colágeno está alterado. Já há estudos que comprovam que nossa produção de colágeno começa a diminuir a partir dos 30 anos, numa média estimada de 1% ao ano.
O colágeno, tão falado e almejado, é a proteína mais encontrada em nosso organismo. Para ele ser produzido de forma adequada, nosso corpo necessita de um aporte adequado de nutrientes e principalmente proteínas. As alterações hormonais naturais do passar da idade também não são amigas da pele. Pois os hormônios ajudam muito nos fatores reguladores do processo de regeneração celular.

E como tratar, prevenir ou retardar o envelhecimento cutâneo?
Qualquer tratamento contra o envelhecimento precisa ter uma abordagem multifatorial. A base de todo tratamento muitas vezes consiste em pequenas mudanças de hábitos, sendo o passo inicial e mais importante evitar a exposição à radiação solar. O uso de filtro solar diariamente pode ser o seu maior aliado na busca de uma pele bem cuidada e livre de sinais precoces da idade. A partir desta premissa básica, associamos cuidados diários domiciliares e procedimentos conforme o desejo e a necessidade individual.
Os produtos tópicos, em forma de cremes, loções, ou séruns conseguem melhorar a qualidade da superfície da pele, promovendo hidratação, clareamento de manchas e alguns atenuam linhas discretas em pessoas jovens. Mas os cosméticos tem um efeito limitado no que diz respeito a estrutura de sustentação e produção de colágeno.
Por isso uma avaliação criteriosa com especialista em Dermatologia ou Cirurgia Plástica pode te ajudar na escolha entre os inúmeros tratamentos (são tantos que muitas mulheres ficam confusas entre quais deles optar). Desde a popular e super disseminada e eficaz aplicação de toxina botulínica, passando por peelings químicos, tecnologias como laser, luz pulsada, ultrassom micro focado, bioestimuladores de colágeno, preenchedores a base de ácido hialurônico. Só para citar os mais praticados.

A mensagem final que acho que precisa ficar gravada é que cada mulher é única, com suas marcas do tempo e da idade na pele e na alma. Cabe a cada uma decidir se e quando quer iniciar algum tratamento estético. Uma vez consciente disso, a melhora sempre ocorre. O importante é irmos atrás de mudar aquilo que não nos satisfaz, de forma gradual, sem exageros e consciência de tentar sempre manter a sua essência.

Paula Baldo Dazzi
Medica Dermatologista
Especialista em Dermatologia pela Sociedade Brasileira de Dermatologia
CRM – RS 27098